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Estratégia simples evitou as dívidas de início de ano para família com três filhos no RS; saiba o que eles fizeram e como aplicar


Como colocar as contas em dia após período de gastos extras

Se você sentiu o orçamento apertar depois do Carnaval, não está sozinho. Quase oito em cada dez famílias brasileiras começaram 2026 endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

O número assusta, mas o que mais chama atenção é que esse aperto segue um padrão que se repete todos os anos. A chamada "inadimplência sazonal" nasce no verão e estoura no outono. Entender esse ciclo pode ser o primeiro passo para não entrar nele de novo.

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Como o endividamento começa

Endividamento

Reprodução/TV Globo

O problema não aparece de repente. Ele surge de um acúmulo de despesas no mesmo período: começa no fim do ano e se agrava nas semanas seguintes. Você deve conhecer o seguinte padrão:

Dezembro: presentes de Natal, ceia especial, roupas novas, viagens e compras parceladas no cartão;

Janeiro: férias escolares, menos dias trabalhados para quem é CLT e redução de renda para autônomos e empreendedores;

Fevereiro: material escolar, uniformes, matrícula, IPVA e outros impostos.

As contas variam em cada família, mas a soma de despesas comuns neste período concentra gastos altos em poucos meses.

Quando o problema aparece nos dados

Segundo análise da Fecomércio-RS com base em números do Banco Central, a inadimplência com mais de 90 dias de atraso costuma crescer entre abril e maio. Ou seja: a dificuldade nasce no primeiro trimestre e só aparece oficialmente meses depois.

Mas há quem consiga escapar desse ciclo. Uma família de Porto Alegre pagou todas as despesas à vista neste começo de ano. O motivo: organização prévia.

A família Carvalho, com três filhos, já sabe que novembro e dezembro são os meses mais caros do ano. Em vez de esperar o susto, eles se anteciparam. Juntaram dinheiro ao longo de vários meses pensando nas despesas inevitáveis deste período.

A empresária Denise Mangini de Carvalho explica que, ao terminar o ano letivo, já pergunta às crianças o que pode ser reutilizado: mochila, garrafinha, apontador, canetas. A lógica é simples: reduzir o impacto do próximo ciclo.

Família Carvalho

Reprodução/ RBS TV

Como aplicar essa estratégia na prática

A educadora financeira Dirlene Silva diz que muitos desses gastos são inevitáveis, mas não são imprevisíveis: "Essas despesas não deveriam ser surpresa, porque todos os anos a gente tem, todo ano tem Natal, Ano Novo, férias, viagens, todo ano tem a mesma coisa. Então, o ideal é a gente aprender com isso. E se não deu esse ano para a gente se programar, se planejar, a gente pode fazer isso para o próximo ano".

Ela recomenda três passos objetivos:

Calcule quanto você gastou: some quanto custaram material escolar, impostos e despesas de fim de ano;

Divida por 12: se o gasto anual com escola foi de R$ 2.400, por exemplo, guardar R$ 200 por mês cria um fundo específico para essa despesa.

Priorize o essencial: se já houver dívidas, foque nas que têm juros mais altos, evite novas parcelas, concentre os gastos em moradia, alimentação e educação

Quando o orçamento não comporta tudo, o crédito vira saída.

Por que o crédito piora a situação

Hoje, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano. Nas modalidades mais usadas pelas famílias, como crédito pessoal e cartão, a taxa média gira em torno de 60% ao ano. E pode chegar a 300% ao ano em alguns empréstimos.

Isso significa que:

o valor emprestado cresce rápido;

o orçamento fica ainda mais pressionado;

a dívida pode se prolongar por vários meses.

O que fazer se já estiver endividado

Para quem já está inadimplente, a prioridade é tentar quitar o que deve para escapar dos juros altos. E, por enquanto, focar em gastar no que é essencial.

O planejamento não evita despesas, mas pode evitar sustos.

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