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Juíza que morreu após coleta de óvulos em clínica de SP terá missa de sétimo dia celebrada no RS


Corpo de juíza que morreu após coleta de óvulos em clínica é enterrado em Mogi das Cruzes

A missa de sétimo dia em memória à juíza Mariana Francisco Ferreira será celebrada nesta terça-feira (12), em Porto Alegre. A cerimônia está marcada para as 18h30, na Igreja Santo Antônio do Pão dos Pobres, no bairro Cidade Baixa.

Aos 34 anos, ela morreu na última quarta-feira (6) após sofrer uma hemorragia depois de um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em uma clínica de reprodução assistida. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso.

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O corpo de Mariana foi enterrado na sexta-feira (9), no Cemitério da Saudade, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Agora, a celebração religiosa de sétimo dia reúne familiares, amigos e colegas para um momento de despedida e oração.

Despedida

Mariana Francisco Ferreira foi enterrada no Cemitério da Saudade, em Mogi das Cruzes

Maiara Barbosa/TV Diário

Antes de o corpo ser levado ao cemitério, a cerimônia de despedida foi marcada pela emoção. A mãe e a irmã da juíza choraram bastante durante o velório.

Já na capela do cemitério, o caixão chegou a ser reaberto para uma última despedida. Muito abaladas, a mãe e a irmã deixaram o local. As duas seguiam abraçadas o tempo todo durante o enterro.

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Investigação

O boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita e morte acidental. A investigação apura se a morte foi causada por complicações médicas relacionadas ao procedimento ou por possível falha no atendimento.

Após a repercussão do caso, a Clínica Invitro Reprodução Assistida, onde o procedimento foi realizado, informou, em nota que a equipe médica adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência” e prestou atendimento emergencial à paciente.

Clínica afirma que adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência”

Alessandro Batata/TV Diário

A unidade afirmou ainda que Mariana foi encaminhada para um hospital com acompanhamento pela equipe e do médico responsável pelo procedimento.

A clínica também declarou que “todo procedimento cirúrgico e médico possui riscos inerentes e intercorrências possíveis” e disse que atua dentro das normas técnicas e regulatórias aplicáveis (leia a nota na íntegra abaixo).

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O Hospital e Maternidade Mogi Mater informou que a paciente foi atendida pela equipe do pronto-socorro e encaminhada imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (leia a nota na íntegra abaixo).

Juíza voltou à clínica após passar mal

Segundo boletim de ocorrência, Mariana realizou a coleta de óvulos na manhã de segunda-feira (4). Após receber alta por volta das 9h, ela voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores e sensação de frio. Diante da piora do quadro, a mãe levou a juíza novamente à clínica por volta das 11h.

No retorno, Mariana relatou inicialmente que acreditava ter urinado na roupa, mas a equipe médica constatou que ela apresentava uma hemorragia vaginal.

Ainda de acordo com o registro policial, o médico responsável realizou os primeiros atendimentos e chegou a fazer uma sutura na região para tentar conter o sangramento.

Transferência e agravamento do quadro

Após a intervenção inicial, Mariana foi encaminhada para a Maternidade Mogi Mater, onde deu entrada às 17h e foi levada diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

No dia seguinte, terça-feira (5), a paciente passou por uma cirurgia às 21h. Apesar das medidas adotadas, o quadro clínico evoluiu de forma grave.

Na madrugada de quarta-feira (6), Mariana sofreu duas paradas cardiorrespiratórias. Mesmo com as tentativas de reanimação, a morte foi confirmada às 6h03.

A unidade afirmou ainda que todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente, na tentativa de estabilizar o quadro clínico.

Sonhava em ser mãe

Juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos

Arquivo pessoal

A mãe da juíza, Marilza Marilza Francisco, contou que a filha decidiu congelar óvulos porque sonhava em ser mãe no futuro.

“Ela ficou com medo de envelhecer. Queria ter uma poupança. Na hora que tivesse a vida mais organizada, queria ter um filho”, afirmou.

Segundo Marilza, a filha realizou a coleta de óvulos na manhã de segunda-feira. Após receber alta, voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores cerca de uma hora depois.

“Ela começou a uivar de dor, muita dor. Ela gritava. Foi um desespero, eu vi minha filha gritar, minha filha sofreu. Minha filha sofreu muito”, lamentou.

A mãe contou que ligou para a clínica e recebeu orientação para voltar imediatamente com a filha. Ao chegar ao local, Mariana percebeu um sangramento.

“Ela falou: ‘Mãe, eu fiz xixi’. Quando ela colocou a mão, era sangue”, disse.

Marilza afirmou que o médico responsável tentou conter a hemorragia ainda na clínica. Segundo a mãe, os médicos informaram que uma artéria no colo do útero havia se rompido durante o procedimento.

A mãe também afirmou que a filha perdeu cerca de dois litros de sangue, informação que teria sido repassada pela equipe médica.

Quem era a juíza

Juíza Mariana Francisco Ferreira, da Comarca de Sapiranga

Juliano Verardi/ TJRS

Mariana era natural de Niterói (RJ) e tomou posse como juíza no Rio Grande do Sul em dezembro de 2023. Ela atuava na Vara Criminal da Comarca de Sapiranga, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul lamentou a morte da magistrada. O tribunal informou que Mariana foi vítima de complicações decorrentes de um procedimento cirúrgico realizado em São Paulo e destacou sua trajetória na carreira.

A corregedora responsável pela comarca afirmou que a juíza se destacou pelo “zelo na apreciação das causas” e pelo comprometimento com a efetividade das decisões. O tribunal também decretou luto oficial de três dias.

A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS) manifestou “profundo pesar e consternação” pela morte da juíza.

“A perda precoce da juíza enluta a magistratura gaúcha, que se solidariza com familiares, amigos e colegas neste momento de dor”, diz a nota.

Juíza que morreu após procedimento de fertilização

Divulgação/ Ajuris

O que diz a clínica

Confira a nota da Clínica Invitro Reprodução Assistida na íntegra:

“Viemos a público manifestar profundo pesar pelo falecimento da Mariana, ocorrido na manhã de ontem, 06/05/26.

Desde os primeiros sinais de intercorrência, toda a equipe médica e assistencial adotou imediatamente os protocolos técnicos e medidas cabíveis, prestando o atendimento emergencial necessário dentro da clínica e providenciando o encaminhamento da paciente à unidade hospitalar adequada para continuidade da assistência médica especializada, sempre com o acompanhamento da nossa equipe e do médico responsável pelo procedimento.

A clínica ressalta que todo procedimento cirúrgico e médico, ainda que realizado com observância dos protocolos técnicos, acompanhamento especializado e estrutura adequada, possui riscos inerentes e intercorrências possíveis, infelizmente existentes em qualquer procedimento dessa natureza.

A clínica ressalta que sempre atuou dentro das normas técnicas e regulatórias aplicáveis, mantendo sua estrutura, equipe e procedimentos devidamente regularizados e aptos ao exercício de suas atividades.

Desde o primeiro momento, foram prestados todo acolhimento, apoio e assistência possíveis aos familiares da paciente, em respeito à dor enfrentada neste momento extremamente delicado. Toda a equipe lamenta profundamente o ocorrido, solidariza-se com familiares e amigos e reafirma seu compromisso com a ética, responsabilidade profissional, transparência e segurança no atendimento de todos os pacientes, ao mesmo tempo em que informa que todos os profissionais estão colaborando com as autoridades competentes para o esclarecimento do ocorrido, preservando-se, neste momento, o sigilo médico e o respeito à paciente e à sua família.”

O que diz o Mogi Mater

O Hospital e Maternidade Mogi Mater informou em nota que Mariana deu entrada na unidade na tarde de segunda-feira (4), levada pela mãe “por meios próprios”, com quadro de hemorragia aguda.

Segundo o hospital, a paciente foi atendida pela equipe do pronto-socorro e encaminhada imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A unidade afirmou ainda que todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente, na tentativa de estabilizar o quadro clínico.

De acordo com a nota, como Mariana não havia realizado procedimentos anteriores no hospital, o médico responsável pela clínica de reprodução assistida foi acionado para acompanhar o caso, incluindo a cirurgia realizada na terça-feira (5).

“Apesar de todos os esforços empregados pela equipe hospitalar, infelizmente ela veio a óbito no dia seguinte”, informou o hospital.

O Mogi Mater também manifestou solidariedade aos familiares e amigos da juíza.

Velório da juíza Mariana Francisco Ferreira na Primeira Igreja Batista em Mogi das Cruzes

Mariana Queiroz/TV Diário

Despedida juíza Mariana Francisco Ferreira

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